QUAL O VERDADEIRO TAMANHO DO BRASIL ?

Nesta semana foi divulgada a aguardada lista anual do mais tradicional guia gastronômico do mundo, o Guia Michelin. Lida a relação de todos os restaurantes avaliados e classificados com uma ou duas estrelas, já que não temos nenhum dentro do parâmetro dos avaliadores que justifiquem estrelar algum com as três estrelas máximas, fica a pergunta: qual o verdadeiro tamanho do Brasil ?

Crescemos ouvindo o termo “do oiapoque ao chuí” justificando a imensidão do nosso território. Assistimos as campanhas publicitárias que enaltecem os valores culturais de cada região, mas a lista do Guia Michelin não diz isso. Será que nossa gastronomia está resumida ao eixo Rio-São Paulo ? Nenhum restaurante das outras regiões brasileiras está nos padrões estabelecidos pelo anuário: qualidade do ingrediente, personalidade da cozinha, técnicas de cocção e harmonia de sabores, custo-benefício e regularidade ?

Ao visitarmos o Remanso do Bosque/PA (Chef Thiago Castanho), Origens/BA (Chef Fabricio Lemos), Osso/MG (Chef Djalma Vitor), Ponte Nova/PE (Chef Joca Pontes), Manu/PR (Chef Manu Buffara), Roccia/PB (Chef Onildo Rocha), entre tantos outros espalhados pelo Brasil, percebemos o quão grande e ricos somos, mas estes não estão à altura de tal agraciamento ?

Para não citar nomes, o que seria custo-beneficio, critério do Guia Michelin ? Pagar mais de R$ 500,00 por um jantar ? O custo é do cliente, o beneficio do restaurante. Qualidade do ingrediente, temos em todo o Brasil; Personalidade da cozinha, temos em todas; Técnicas de Cocção e harmonia de sabores, somos bons e temos a maior riqueza do mundo. Mas somente Rio de Janeiro e São Paulo são detentores de tamanha qualidade ?

Nossa gastronomia tem inicialmente três pilares: o português, o africano e o indígena. Depois outras culturas foram somando e formando a imensidão de sabores que hoje nos caracterizam. Viajar pela Europa não nos trará tantas surpresas quanto um espaço de menos de mil quilômetros  por dentro de um ou dois Estados brasileiros. Nossa gastronomia vai “do oiapoque ao chuí”, do litoral ao pantanal, nas capitais e principalmente no interior, lugar onde petit gateau e mouselines não contaminaram as cozinhas à lenha e panelas de barro.

 

Não se trata de um rótulo de “oh senhor super chef de cozinha” ou “nossa seu restaurante é tão famoso” mas se trata de essência, origem, historia.

E o Guia Michelin prova mais uma vez que não conhece o verdadeiro tamanho do Brasil. Nós brasileiros conhecemos nossos sabores e melhores restaurantes, não com a ponta dos dedos em uma folha de papel, mas com a fumaça que sai das panelas.