Com qual nome te batizo ?

DSC02403-001Carne temperada e assada, legumes cozidos, guarnição pronta, prato montado e agora, qual o nome desta preparação ? Agora vem a duvida cruel, precisamos chamar esse prato de alguma forma. O mais fácil hoje e infelizmente popularizado sem a mínima noção do que representa, chamamos de “sei lá o quê gourmet”.

Os pratos sempre tiveram como destaque para inicialmente chamar a atenção dos clientes, seus nomes nos cardápios. Mesmo com a epidemia dos “fast foods” com seus menus ilustrados com fotos que na sua grande maioria são belíssimos truques fotográficos, o nomes acabam sendo atrativos e em alguns casos revelam muito mais do que apenas sua denominação.

Já ouvimos Coq au vin (ave ao vinho), Filé Oswaldo Aranha (em homenagem ao diplomata gaúcho), Petit Gâteau (pequena torta), Tulipa, Quenelle, são tantos exemplos de pratos que tiveram seus nomes atribuídos às técnicas gastronômicas aplicadas para a sua execução, seja um corte, uma cocção ou uma montagem.

Garfield-e-LasanhaMas lamentavelmente nos dias atuais, com a “popularização” da gastronomia e o surgimentos de “renomados chefs anônimos de fim de semana”, a falta de conhecimento de todas estas bases nos obriga a escutar toda hora o termo “gourmet”. Hamburger Gourmet, Feijoada Gourmet, Salada Gourmet, Sorvete Gourmet, Gororoba Gourmet. Convenhamos, falta de criatividade plena. DO outro lado, encontramos restaurantes que para batizar um prato quase usam todas as letras do alfabeto. São tantos nomes e sobrenomes ao prato que perdemos a fome só com o tempo perdido para lê-los. “Filé de filé mignon supremo ao toque de ervas de provance com emulsão de azeite de trufas brancas acompanhando de legumes vaporizados com aroma cítrico de laranja e creme de tubérculos rústicos salteados em gordura natural de aves de caça”, UFA, Perdi a fome mesmo !

Alguns nomes não possuem qualquer relação às suas origens, por exemplo:
Churrasco grego
A história mostra que o churrasquinho grego pode também ser chamado de churrasco árabe. A Grécia esteve sob domínio turco-otomano entre os séculos 15 e 19 e, por isso, não se sabe ao certo qual povo foi o inventor desse prato. Os gregos o chamam de “gyros”, os turcos de “kebab” e os árabes de “shawarma”. Por aqui, o churrasco é feito com bifes prensados e colocados no pão francês. Nas versões grega, turca e árabe, o sanduíche é feito com pão sírio.
Arroz de braga
O arroz pode até levar o nome de Braga, uma cidade ao norte de Portugal, mas o fato é que, por aquelas bandas, os garçons morrem de rir toda as vezes que algum brasileiro pede o prato em um restaurante. Em Braga, ninguém conhece o arroz de Braga! Há até uma piada que diz: “Há arroz em Braga, mas não Arroz de Braga”. A origem mais provável do nome dessa receita é a seguinte: um senhor português veio para o Brasil e começou a fazer um prato em seu restaurante muito comum das terras lusitanas, o arroz de pato à moda de Braga.
Hambúrguer
O nome deste prato denuncia que sua origem, ao contrário do que todo mundo pensa, não tem nada de norte-americana. O hambúrguer chegou aos Estados Unidos no século 19 por meio de imigrantes vindos da cidade de Hamburgo, na Alemanha. Os americanos só acrescentaram o pão.
Uma das versões sobre a origem do hambúrguer diz que no fim do século 17 tribos nômades da Ásia Ocidental desenvolveram a técnica de temperar a carne bovina, bem picadinha, para evitar que ela apodrecesse. Marinheiros alemães descobriram a receita, mas passaram a cozinhar a carne. A iguaria fez tanto sucesso que se tornou um prato típico alemão.
Torta holandesa
Essa delícia que leva biscoito de maisena e chocolate é originária de Campinas. A receita foi criada por Sílvia Leite, em 1991. Ela era, na época, proprietária de um café no centro de Campinas e deu o nome ‘holandesa’ à torta em homenagem aos bons momentos que viveu na Europa.

gordon ramsayVale ressaltar que o nome de um prato precisa ter personalidade porem bom senso também é fundamental. Vamos parar com esse modismo “gourmet”. Chega a ofender quem trabalha e conhece profundamente do assunto. Pense bem no que você está preparando e não “viaje na maionese”, avalie, pesquise e batize de forma honesta o seu prato e não saia por aí “gourmetizando” qualquer gororoba.

Fontes: http://www.bemparana.com.br