Bem-vindos ao nosso mundo, o hospício chamado cozinha !

Ser cozinheiro é visto por muitos como uma loucura que escolhemos alimentar. Cozinhar por horas e horas, ficar em pé e raramente ter o direito de sentar pra descansar. Beber água gelada ? Só em uma propaganda de tv. Nossas costas doem, os pés incham, os dedos quando não estão queimados, estão cortados.

Pois é, você pensa que é fácil ?

002No ultimo final de semana participei da terceira edição da Feirinha Gastrô em Aracaju. Mais de 650 pratos vendidos no meu stand em 18 horas de evento. Em quatro dias, dormi no máximo 16 horas. Desossar tres carneiros inteiros, limpar a carne, cortar em cubos, cenouras, cebolas, Cozinhar 64kg de inhame. Cortar em tiras e temperar 56kg de lombo suíno. Realmente somos malucos. O trabalho é para quem aguenta.
Foram meses de preparação. A organização da Feirinha Gastrô fez a seleção dos pratos que iriam participar e foi só ficar aguardando a data. Definido o fim de semana que aconteceria o evento, nos organizamos. O primeiro encontro foi a sessão de fotografia para a publicidade do evento. Muita descontração. Já mostrava como seria o clima do evento mesmo com a tensão que criava um frio na barriga. Os dias se aproximando, vieram as entrevistas ao vivo na TV, marcações nas redes sociais, jornais, etc. O grupo no whatsapp era e ainda é um canal de muita bagunça e risadas, o que dizer dos vídeos e fotos trocados.

001Chegou o final de semana, clima tenso. Montagem das barracas, logística, confere lista de material, sempre falta alguma coisa. Fred (comissão organizadora) gritando no pé do ouvido: “chegou a hora, vou abrir os portões !!”, Deus do Céu. Bom… agora era a hora, vender, vender e vender. Muita gente, pedidos, reposição, loucura. Mas sabe de uma coisa ? Me diverti muito e diverti muito a turma das barracas ao lado. O que dizer do grito de guerra: “Olha o leite !”, em alusão ao sino que eu tinha levado para tocar a cada dez pratos vendidos, acabou sendo nosso sinal de descontração. O primeiro dia foi uma loucura, mais de duas mil pessoas, acabou a comida !!!!!!!! No domingo, o desafio era maior, porque teriamos o almoço, aberto desde o meio dia. Do mesmo jeito do primeiro dia, gente, gente, gente……. até atender o ultimo. Mas posso garantir, todos os chefs,, quer dizer cozinheiros malucos, estavam realizados, mesmo com toda a exaustão.

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Vestir a dolmã e ir para um estúdio fotografar é fácil, mas fazer comida de verdade, é para poucos. Neste caso da Feirinha Gastrô, 16 loucos/chefs (Eu, Rodrigo, Léu, Emanuel, Saulo, Conrado, Guilherme, Gui, Danila, Gabriela, Daniela, Alex, Danilo, Erik, Cleiton e Carol) e suas equipes de guerreiros, todos são verdadeiros heróis e loucos. Tenho falado muito sobre isso para meus alunos e por muitas vezes sou mal interpretado, mas tento na verdade mostrar que essa vida louca que levamos, é nossa paixão e por muitas vezes as pessoas que nos cercam, não entendem e aqueles que se aventuram, desistem e degrinem muitas vezes nosso ambiente de trabalho.

Loucos ? Desculpa mas somos mesmo !!!

Somos incompreendidos. Trabalhamos enquanto todos se divertem. Nao temos feriados, perdemos os feriadões. Familia e amigos precisam entender que não estar presente e as vezes até sem acesso, não nos fazem ser arrogantes, metidos ou algo do gênero. Quando queremos um pouco de paz e reserva, precisamos. Mas já que somos criticados da mesma forma, não podemos fazer nada. Como explicar tamanha paixão pelo que fazemos ? Dificil. Grana sempre é bom, mas quem sai de casa pensando somente no dinheiro, não permanece muito tempo neste hospicio.  Não queremos holofotes, flashs e notoriedade. Queremos respeito e entendimento. Buscamos um lugar ao sol sim, mas antes queremos as contas pagas e se somos reconhecidos, nada mais justo. os verdadeiros chefs antes de tudo são COZINHEIROS MALUCOS e amamos tudo isso….maxresdefault